Biscoito da Sorte
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Ao viajar para Rotorua, conheceu um Marae – casa sagrada dos maoris – na qual um senhor chamado Akahata, chefe da tribo, recebeu-o com honras, mostrando-lhe gratidão pela carta número vinte e seis do jogo, que retratava um conquistador lunar de origem maori, que lutava naquele astro. Akahata ofereceu um moko – tatuagem maori – a ele, que seria delineado em seu rosto. Um privilégio para ele, já que os mokos são símbolos de status naquela cultura – quanto mais conquistas o indivíduo reunia, mais a sua pele era circunscrita com os adornos – e o estrangeiro teve de mandar um "Não, obrigado!" ao simpático nativo, com o devido cuidado para não ofendê-lo.
O silvícola, por seu turno, não se melindrou e, para provar que estava tudo certo entre eles, esbugalhou os olhos até expor os nervos ópticos e colocou a língua para fora, tocando a covinha do queixo com a sua ponta, e dançou o Haka para o estrangeiro, que sorriu.Clicando aqui, você lê o conto completo
O silvícola, por seu turno, não se melindrou e, para provar que estava tudo certo entre eles, esbugalhou os olhos até expor os nervos ópticos e colocou a língua para fora, tocando a covinha do queixo com a sua ponta, e dançou o Haka para o estrangeiro, que sorriu.Clicando aqui, você lê o conto completo


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Mas ainda restava uma esperança: o culto titular da cadeira de língua portuguesa, um respeitável senhor septuagenário a quem os alunos atribuíram a alcunha de "mestre dos magos". Ele usufruía de um comportamento enigmático, tamanha era a sua perícia em articular narrativas acerca de costumes arcaicos memoráveis para nortear as novas gerações. Tantas pronúncias belas expressou o catedrático que – não sei se ele notou – eu o elevei à categoria de "meu guru". Eu necessitava mesmo de um mentor. Carecia deparar-me exteriormente com o modelo que eu não tinha em casa. Por isto, optei crer que ele só não lia as minhas redações extras por absoluta falta de tempo e para evitar sugestionar-me e comprometer o meu estilo literário. E ele ainda esmerava-se no cuidado para não me deixar chateado. Fingia que lera os meus textos e fazia comentários genéricos, afirmando que gostou do que eu escrevi e que eu estava melhorando, mesmo quando inseri uma receita de bolo na folha pautada. E que importância isto tem? Tudo era por uma causa justa: não me entristecer e incentivar-me. Pelo menos, esta era a minha fé. E tão ferrenha era a minha convicção em sua índole superior que, uma vez, estando eu na fila do banco, ao vê-lo humilhar grosseiramente a mocinha do caixa, virei o rosto e aumentei o volume do meu walkman para preservar minha certeza.Clicando aqui, você lê o texto completo


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O senhor não poupava adjetivos para supervalorizar a importância de sua empreitada turística para a economia em virtude de sua contribuição para o produto interno bruto. Para ele, a publicação de um artigo na revista de negócios mais célebre do país era uma cartada conveniente para fortalecer a sua posição perante o governo federal e angariar recursos financeiros provindos dos cofres públicos pelas leis de incentivos fiscais ao turismo. O rapaz, por seu turno, que não resguardava simpatia nenhuma por privilégios e apadrinhamentos, era uma presa complexa para os argumentos tendenciosos do mafioso. Apenas havia aceitado o encargo devido ao seu interesse conceitual por organizações criminosas e pela adrenalina obtida na atuação no âmbito do jornalismo investigativo. O velho, um ilustre orador, utilizava os ínterins de clímax do espetáculo, aproveitando-se da desatenção, para nele inculcar as premissas mais vantajosas para a companhia. E foi percebendo a distração explícita de seu interlocutor, que o ancião valeu-se de seus discursos mais sórdidos. O indivíduo perverso não entendia por quê, mas era tão profunda a introspecção do periodista, que ele presumiu poder falar o que quisesse que o moço consentiria caladamente. Mas as indecências proferidas só poderiam estar provocando algum efeito se fossem no plano inconsciente porque o rapaz já não ouvia mais nada. Ele reconheceu a atriz que preencheu o centro do tablado...Clicando aqui, você lê o conto completo


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Quando se é criança numa suposta casa normal, as coisas são apresentadas para nós de uma forma, no mínimo, relativamente simpática. Embora a família não seja o supremo modelo a ser seguido em termos de estruturação, tudo parece ser bonito.
Mesmo que o pai, hipoteticamente, não seja muito sóbrio e que os cuidados para que o filho não assista às cenas desarmônicas experimentadas pelos cônjuges não sejam prudentemente resguardados, o brilho dos olhos e a candura do coração de um anjinho conseguem ter mais força do que os deselegantes aviltamentos a que a matriarca aceite submeter-se.
E se, por ventura, as agressões não forem apenas verbais e as paredes do dormitório infantil combinadas com o pressionamento do macaquinho de pelúcia nos ouvidos não proporcionarem as circunstâncias sinergéticas adequadas para poupar os tímpanos do novato deste mundo de receberem informações sonoras indicadoras de que a estória da princesa – que vira no programa vespertino da emissora da rede pública de televisão – não é rigorosamente idêntica aos episódios de investidas físicas insuficientemente afáveis do genitor em relação à genitora, ainda havia o colinho da vovó aos domingos com direito a chá e torradinha.
Mesmo que o pai, hipoteticamente, não seja muito sóbrio e que os cuidados para que o filho não assista às cenas desarmônicas experimentadas pelos cônjuges não sejam prudentemente resguardados, o brilho dos olhos e a candura do coração de um anjinho conseguem ter mais força do que os deselegantes aviltamentos a que a matriarca aceite submeter-se.
E se, por ventura, as agressões não forem apenas verbais e as paredes do dormitório infantil combinadas com o pressionamento do macaquinho de pelúcia nos ouvidos não proporcionarem as circunstâncias sinergéticas adequadas para poupar os tímpanos do novato deste mundo de receberem informações sonoras indicadoras de que a estória da princesa – que vira no programa vespertino da emissora da rede pública de televisão – não é rigorosamente idêntica aos episódios de investidas físicas insuficientemente afáveis do genitor em relação à genitora, ainda havia o colinho da vovó aos domingos com direito a chá e torradinha.
Trecho do conto "O mundo quase perfeito"
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O que nos diferencia dos bichos? O raciocínio, óbvio. Valorizo muito o meu, por sua utilidade prática e pelo reconhecimento ao esforço e aos milênios que foram despendidos pela Senhora Natureza pra desenvolvê-lo, através das duras penas impingidas aos nossos antepassados, e entregá-lo, pra mim, de bandeja, conforme nos explica Charles Darwin.
Existe algum descendente dos perfumadinhos Adão Maurício e Eva Patrícia lendo isto aqui? Espero que não porque sou oriundo de macacos sujos e malcheirosos.
Tive a sorte de nascer no último quarto do século XX e de chegar à minha segunda década de vida surfando, empolgadamente, na rede mundial de computadores. Mas, de lá até aqui, tiozinho, foi pedreira.
Quantas vezes o homem primata, já sedentário, esmurrou a sua cachola até descobrir que não era a oração pros deuses que fazia os animais multiplicarem-se, no cercado? Era a foda animal mesmo.
Existe algum descendente dos perfumadinhos Adão Maurício e Eva Patrícia lendo isto aqui? Espero que não porque sou oriundo de macacos sujos e malcheirosos.
Tive a sorte de nascer no último quarto do século XX e de chegar à minha segunda década de vida surfando, empolgadamente, na rede mundial de computadores. Mas, de lá até aqui, tiozinho, foi pedreira.
Quantas vezes o homem primata, já sedentário, esmurrou a sua cachola até descobrir que não era a oração pros deuses que fazia os animais multiplicarem-se, no cercado? Era a foda animal mesmo.
(Trecho da crônica para rádio "Doutora Sandra cobra R$490,00")
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"Se aqueles estilhaços de vidro não foram escoados pelas águas e os resquícios escuros de pneus não foram apagados, o incidente havia ocorrido há menos de três dias" - Pensou.
Nos arredores do tronco, notou indícios familiares. Conferiu a sola do seu sapato e não hesitou em julgar que as pegadas eram suas. Os desenhos geométricos estampados na lama eram idênticos à simetria procedente do relevo de seu calçado. Mal começou a seguir os sinais, nos primeiros metros, já pôde avistar uma amoreira bem distante. Então, decifrou por que se introduzira na jornada por ali.
Em sua infância vivida em Miskolc, nos primórdios dos anos noventa, morou em uma casa deslocada da cidade. A atmosfera campestre que caracterizava o local era coroada pelo pomar que a família cultivava no quintal.
Contudo, a brandura era ilusória. Seu pai foi um operário beberrão. Ao toque da sirene da metalúrgica, não perdia tempo em sua ida à taberna, na Praça Santa Ana. Enquanto sua mãe, católica fervorosa, assistia à missa na igreja situada no mesmo largo, o homem de aparência abatida e olhar apático, desanuviava suas frustrações com todas as doses de Pálinka que o seu curto salário podia comprar.Clicando aqui, você lê o texto completo
Nos arredores do tronco, notou indícios familiares. Conferiu a sola do seu sapato e não hesitou em julgar que as pegadas eram suas. Os desenhos geométricos estampados na lama eram idênticos à simetria procedente do relevo de seu calçado. Mal começou a seguir os sinais, nos primeiros metros, já pôde avistar uma amoreira bem distante. Então, decifrou por que se introduzira na jornada por ali.
Em sua infância vivida em Miskolc, nos primórdios dos anos noventa, morou em uma casa deslocada da cidade. A atmosfera campestre que caracterizava o local era coroada pelo pomar que a família cultivava no quintal.
Contudo, a brandura era ilusória. Seu pai foi um operário beberrão. Ao toque da sirene da metalúrgica, não perdia tempo em sua ida à taberna, na Praça Santa Ana. Enquanto sua mãe, católica fervorosa, assistia à missa na igreja situada no mesmo largo, o homem de aparência abatida e olhar apático, desanuviava suas frustrações com todas as doses de Pálinka que o seu curto salário podia comprar.Clicando aqui, você lê o texto completo





